TSE obriga institutos a detalhar se usaram áudios ou vídeos em pesquisas

Politica Eleições 26/09/2026 15:36 Estadão Conteúdo | Jovem Pan jovempan.com.br

O presidente do TSE, Nunes Marques, determinou que empresas de pesquisa eleitoral declarem claramente se utilizaram imagens ou sons nas perguntas, exigindo também a ordem das questões para aumentar a transparência dos levantamentos durante as eleições.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, decidiu mudar as regras de registro das pesquisas eleitorais no Brasil. O objetivo da nova exigência é tornar os levantamentos mais transparentes, obrigando os institutos a detalhar exatamente como as perguntas são feitas aos cidadãos.

Uma das novidades é que as empresas devem informar se mostraram áudios, vídeos ou imagens durante a entrevista. Essa discussão ganhou força após a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel, que foi acusada de tentar influenciar indevidamente a escolha do eleitor.

  • O TSE agora exige que os institutos declarem o uso de mídias (fotos, sons e vídeos) nos questionários.
  • A decisão de Nunes Marques aumenta a transparência sobre a metodologia usada nos levantamentos.
  • As empresas também precisarão detalhar a ordem em que as perguntas são feitas.
  • O caso da pesquisa AtlasIntel segue no tribunal, servindo de exemplo para as novas regras.
  • Essas mudanças buscam evitar que o entrevistado seja induzido a responder de determinada forma.

Transparência no uso de imagens e sons

A exigência de mostrar se houve uso de mídias, como fotos ou gravações de áudio, visa impedir que o entrevistado seja condicionado por estímulos visuais ou sonoros antes de responder. O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, alterou o sistema de registro para que esses dados fiquem públicos e acessíveis.

Essa discussão surgiu com força após a suspensão de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel. A decisão ocorreu em junho, a pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A campanha de Bolsonaro argumentou que o instituto havia tocado um áudio com a voz de Flávio pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, sem que esse fato tivesse sido declarado no sistema do tribunal.

Ordem das perguntas também será divulgada

Além das mídias, Nunes Marques determinou que os institutos informem a sequência exata das perguntas. Especialistas em metodologia afirmam que a ordem é crucial: perguntas sobre avaliação do governo ou intenção de voto devem vir antes de questões que associam candidatos a fatos negativos. Isso evita que a resposta do eleitor seja alterada por perguntas anteriores.

Segundo o TSE, essa atualização não cria obrigações novas para as empresas, mas apenas exige que informações que já são mandatórias pela lei eleitoral sejam apresentadas com mais clareza e detalhe ao público.

Normalmente, até cinco dias antes da divulgação, as empresas já informam quem pagou pela pesquisa, o valor, a metodologia e o texto completo das perguntas. Com as novas regras, a descrição da população pesquisada, o nível de confiança e a margem de erro também precisarão ser mais detalhadas.

Caso AtlasIntel segue sob análise

As mudanças foram acordadas após reuniões entre o presidente do TSE e representantes dos institutos, realizadas em julho. No entanto, o julgamento sobre a suspensão da pesquisa da AtlasIntel ainda não foi concluído. O caso é visto como um teste para definir as regras de todas as eleições futuras no país.

A análise foi pausada em junho após a ministra Estela Aranha pedir vista do processo para tentar um consenso entre os ministros. Ela prorrogou esse pedido em 21 de agosto por mais 30 dias, mantendo o caso parado até que uma decisão final seja tomada.


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