Romeu Zema (Novo) criticou o Judiciário e a TV Globo após o cancelamento do debate presidencial de 2026. O candidato afirmou que as decisões judiciais de última hora sobre a participação de Lula e Renan Santos interferiram indevidamente na programação da emissora e geraram caos no processo eleitoral.
O ex-governador de Minas Gerais e presidenciável Romeu Zema (Novo) criticou duramente as decisões judiciais que levaram à cancelamento do debate da TV Globo, agendado para as 21h20 de ontem. Na visão do candidato, o Poder Judiciário está "fazendo política" e criou um cenário de "total insegurança jurídica" no Brasil, atingindo um novo patamar de instabilidade nas regras do jogo eleitoral.
Zema deixou claro que não se opõe à participação de nenhum candidato no debate, mas exigiu o cumprimento estrito das regras previamente acordadas. Para ele, a mudança repentina nas diretrizes da emissora foi injustificável. "Uma decisão oficial, no meu entender, sem pé e sem cabeça, muda tudo", declarou o político em conversa com a imprensa logo após a suspensão do evento. Ele também acusou a Justiça de agir em benefício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
- O cancelamento: A TV Globo cancelou o debate após decisões judiciais que impediram a filmagem do púlpito de Lula e obrigaram a presença do candidato Renan Santos.
- Critica à Justiça: Zema classificou as decisões como "sem pé e sem cabeça", alegando que o Judiciário interferiu na liberdade de imprensa.
- Regras eleitorais: O candidato destacou que seu partido (Novo) cumpriu a regra de ter cinco parlamentares, questionando a clareza da lei sobre a contagem de deputados.
- Fim da candidatura Zema descartou desistir da corrida presidencial, afirmando que "nunca desistiu de nada na vida".
- Outros candidatos: Flávio Bolsonaro e Renan Santos também comentaram o cancelamento, com Flávio citando "medo" e Renan questionando a postura de adversários.
Interferência do Judiciário na TV Globo
Em nota oficial, a TV Globo explicou que o cancelamento ocorreu devido a duas decisões judiciais proferidas no mesmo dia. A primeira impediu que a emissora filma-se o púlpito vazio que havia sido reservado ao presidente Lula. A segunda decisão obrigou a participação do presidenciável Renan Santos (Missão). Para a emissora, essas ordens representaram uma "interferência indevida" na liberdade que os veículos de comunicação possuem para organizar seus próprios conteúdos e debates.
Regras de contabilização de parlamentares
Vale ressaltar que Zema não foi convidado inicialmente para o debate. Ele só garantiu sua vaga devido a uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de terça-feira, que alterou o entendimento sobre como contabilizar os parlamentares necessários para a participação. Questionado sobre a diferença entre seu caso e o de outros candidatos forçados a entrar ou sair, Zema argumentou que há uma distinção fundamental. "O partido Novo, hoje, tem seis parlamentares. E na lei fala que você precisa ter cinco parlamentares. Só que a lei não está clara se é o número atual de parlamentares ou se é o número de parlamentares eleitos na última eleição. Então, é uma decisão com pé e com cabeça", justificou.
O candidato continuou sua argumentação sobre a falta de coerência nas decisões judiciais. "Agora, a decisão que trouxe o outro candidato, eu não tive acesso, mas parece que desobedece, inclusive, totalmente, essa regra que está na legislação eleitoral", completou Zema. Ele insistiu que a confusão gerada pelas mudanças repentinas nas regras prejudica a transparência do processo eleitoral e favorece apenas determinadas facções políticas.
Zema afasta ideia de desistir da candidatura
Aproveitando a oportunidade para falar sobre as especulações que circulavam nas redes sociais, o presidenciável do Novo descartou qualquer possibilidade de retirada do cargo antes do primeiro turno. Em tom firme, ele declarou: "Nunca desisti de nada na vida. Não faz parte do meu vocabulário". Com isso, Zema reforçou seu compromisso com a campanha e a continuidade de sua agenda política, apesar das turbulências judiciais e da polêmica envolvendo o debate presidencial cancelado.






