Flávio Bolsonaro promete mudar regras de trabalho se vencer, diz a empresários

Politica Política 15/10/2026 08:35 Estadão Conteúdo / Jovem Pan jovempan.com.br

Candidato do PL à Presidência indica a líderes do setor produtivo que pretende revisar a PEC que acaba com a escala 6x1, após ter mudado de posição e votado a favor da medida no Senado.

Aliados e integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) passaram a comunicar líderes empresariais que, caso ele seja eleito presidente da República, o objetivo será rever as regras que acabaram com a escala 6x1. Segundo fontes ouvidas pelo sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o recado foi enviado por determinação do próprio senador.

Um representante de uma entidade empresarial confirmou que a mensagem transmitida é que, em caso de vitória, Flávio Bolsonaro "garantiu que vai rever tudo na 6x1".

Principais pontos da mudança de postura

  • Mudança de voto: Flávio Bolsonaro, que antes criticava a medida como "oportunismo" de Lula, decidiu votar a favor da PEC na terça-feira (13).
  • Objetivo estratégico: O voto favorável visou evitar desgaste eleitoral e impedir que o atual presidente capitalizasse o tema nas urnas.
  • Plano pós-eleição: A intenção é mitigar os impactos econômicos no setor produtivo a partir de 2027, caso haja vitória.
  • Proposta alternativa: Discute-se a aprovação de um regime de trabalho flexível, com remuneração por horas trabalhadas.
  • Críticas internas: Parte dos empresários questionou a falta de coerência nas posições do candidato em grupos privados.

O aceno é direcionado a lideranças do setor produtivo, que defendem ajustes na Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada de trabalho. Esses grupos pedem uma modulação na proposta para evitar prejuízos às empresas.

O grupo do senador tem afirmado aos empresários que ele votou a favor da PEC exclusivamente para evitar desgaste em sua candidatura. Publicamente, porém, o presidenciável não mencionou qualquer intenção de revisar a medida no futuro.

O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (14), 11 dias antes do segundo turno das eleições, a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem perda de salário. Como o texto já tinha passado pela Câmara, agora segue para promulgação.

Imprevisibilidade sobre o novo modelo

Segundo lideranças empresariais, não há um detalhamento claro de como seria essa eventual revisão da escala. Senadores de oposição também afirmam não saber qual seria o formato final da mudança.

Para esses grupos, o foco inicial será mitigar os impactos que a nova jornada terá sobre os setores da economia.

Nesse contexto, ganha força a discussão sobre a PEC apresentada pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê a criação de um regime de trabalho flexível, baseado na remuneração por horas efetivamente trabalhadas.

Algumas lideranças empresariais criticaram, em grupos reservados de mensagens, a mudança de posição de Flávio Bolsonaro. As ressalvas apontam que o presidenciável "não sustenta" suas posições diante da sociedade.

Na terça-feira (13), Flávio Bolsonaro, que até então classificava o fim da 6x1 como uma manobra política do presidente Lula (PT), anunciou oficialmente seu apoio à PEC. O senador justificou a decisão dizendo que buscava atender "à maioria da população".

Após a virada do senador, a oposição no Senado se viu "sem saída" e também decidiu votar a favor da aprovação da nova jornada. Parlamentares aliados afirmaram que o objetivo era tirar a pauta da agenda e proteger a imagem do candidato, evitando que o tema se tornasse um ponto forte para o adversário nas urnas. No entanto, já davam indícios de que, se eleito, ele buscaria mudanças na medida a partir de 2027.


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