Flávio Bolsonaro nega: Pai não será nomeado para cargo no meu governo

Politica Eleição 17/10/2026 08:40 Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

Candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretende indicar seu pai, Jair Bolsonaro, para qualquer função no Executivo. Ele também descartou a indicação do irmão Eduardo para o cargo de chanceler, classificando-o como perseguido político.

Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), esclareceu nesta sexta-feira que não pretende nomear seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para nenhum cargo público em caso de vitória nas eleições de 25 de outubro. Em entrevista à TV Globo, o filho do ex-chefe do Planalto enfatizou que essa ideia não está no radar.

Além de afastar a possibilidade de nomeação do pai, Flávio Bolsonaro descartou também que seu irmão, o senador Eduardo Bolsonaro, assuma a titularidade do Ministério das Relações Exteriores. As declarações foram dadas durante uma sessão de perguntas ao vivo, na véspera do segundo turno da eleição presidencial.

  • Filhos de Bolsonaro: Flávio negou cargos para Jair (pai) e Eduardo (irmão), que está nos EUA e é considerado foragido da Justiça brasileira.
  • Fim da reeleição: Caso eleito, promete mudar a Constituição para acabar com a reeleição; se o Congresso não aprovar, não disputará em 2030.
  • Segurança Pública: Promete declaração de guerra ao PCC e ao CV, classificando-os como narcoterroristas, em alinhamento com os EUA.
  • Forças Armadas: Diferentemente do governo anterior, pretende limitar o papel dos militares à proteção de fronteiras e combate a facções.
  • Debates e Protestos: Entrevista gerou panelaço de oposição; Lula e Flávio se enfrentarão no debate da TV Band no próximo domingo.

Compromissos constitucionais e distância do poder

O candidato reforçou seu posicionamento de que, se for eleito, defenderá uma alteração na Constituição federal para eliminar a possibilidade de reeleição presidencial. Ele afirmou que não fará alterações na lei para permitir que familiares possam sucedê-lo no cargo. Flávio Bolsonaro argumentou que, caso o Congresso Nacional não aprove essa mudança, ele não disputará um novo mandato nas eleições gerais de 2030.

Isso é para mostrar que não tenho apego ao poder. Não tenho um projeto de poder. Tenho 45 anos, sou advogado, empresário, tenho pós-graduação em políticas públicas e governo, tenho MBA em empreendedorismo e novos negócios. Estou mais do que preparado para ser presidente da República e, para mim, isso é um projeto de Deus, declarou o candidato, destacando sua formação e experiência.

Respeito às urnas e críticas ao processo do pai

Flávio Bolsonaro afirmou que existem nomes suficientes no espectro político da direita para construir um projeto de nação, e não projetos de poder. Questionado sobre uma eventual derrota para o atual presidente, Lula da Silva, o candidato comprometeu-se a respeitar o resultado das urnas. Sobre o impasse envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente estrelada pelo ator Jim Caviezel, Flávio reiterou que não vê problemas em ter solicitado recursos a Daniel Vorcaro, figura central do escândalo do Banco Master, atualmente preso por suspeita de fraude financeira.

O candidato voltou a defender seu pai, dizendo que Jair Bolsonaro foi preso por uma farsa e que há vários vícios no processo que resultou na condenação a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, declarou após o primeiro turno que reavaliará o pedido de revisão da pena do ex-presidente, dado que Flávio ficou à frente de Lula por 2,2 milhões de votos.

Papel do pai e do irmão no eventual governo

Diante da possibilidade de Jair Bolsonaro ser libertado em caso de vitória eleitoral, Flávio indicou que pretende ter o pai apenas como consultor informal. Bolsonaro nunca tratou de cargos comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo, declarou. O candidato ressaltou que tem o privilégio de, quando precisar consultar um ex-presidente da República, ter dentro de casa alguém em quem confio. Sou privilegiado. Ele nunca tratou de cargos comigo.

Essa declaração contradiz uma fala anterior de Flávio, feita em maio, quando havia afirmado que, se o pai quisesse exercer algum cargo em seu eventual governo, teria essa possibilidade. É óbvio que ele vai exercer, sim, havia defendido na ocasião. Sobre o irmão Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça brasileira, Flávio confirmou que ele não será ministro das Relações Exteriores, apesar de Eduardo ter insinuado recentemente que poderia assumir o posto.

Não. Ele não será meu chanceler. Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia, a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia em nosso país, declarou o candidato, defendendo a postura do irmão no exterior.

Estratégia de segurança e confronto com o crime

Questionado sobre o papel das Forças Armadas em seu eventual governo, considerando que seu pai nomeou diversos militares para ministérios e teve oficiais com posições ideológicas semelhantes entre seus aliados, Flávio afirmou que sua abordagem será diferente. O candidato do PL disse que, em seu governo, as Forças Armadas serão responsáveis apenas pela proteção das fronteiras brasileiras e também atuarão no combate às facções criminosas. Antes disso, afirmou que vai declarar guerra ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Em alinhamento com os Estados Unidos, Flávio voltou a prometer que classificará o PCC e o CV como organizações narcoterroristas. Essa mudança de postura nas forças de segurança busca diferenciar sua gestão da realizada por seu pai, que utilizou intensivamente militares em pastas civis.

A entrevista de Flávio Bolsonaro provocou uma onda de protestos pelo país depois que setores da esquerda convocaram a população a bater panelas, em um ato popularmente conhecido como panelaço, durante a transmissão do programa na televisão. Na quinta-feira, a TV Globo entrevistou Lula da Silva durante 40 minutos. Na ocasião, o presidente defendeu a redução para 16 anos da idade de responsabilidade penal em casos de crimes hediondos.

Já no próximo domingo, Lula e Flávio Bolsonaro ficarão frente a frente pela primeira vez nesta eleição, em um confronto direto durante o debate presidencial promovido pela TV Band.


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