Alerta do INCA sobre cigarros com sabor e aroma para jovens

Saúde Tabagismo 02/06/2026 17:16 Agência Brasil noticiasaominuto.com.br

O INCA e o Ministério da Saúde estão preocupados com o aumento do uso de cigarros eletrônicos e outros produtos com nicotina entre adolescentes e jovens. Eles alertam que a indústria do tabaco está mirando nesse público com sabores e aromas atraentes, o que pode levar ao vício e a doenças graves como câncer.

O Brasil não enfrenta mais apenas o desafio do tabagismo tradicional, mas também o avanço da indústria da nicotina, que tem adolescentes e jovens como principais alvos. O alerta foi feito pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, durante evento realizado na última quinta-feira (28), em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

  • Produtos com sabor e aroma: Cigarros com sabores doces e aromas atraentes são usados para enganar jovens e fazer com que eles comecem a fumar mais facilmente.
  • Número alarmante: Cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos já consomem tabaco nas Américas, e 2 milhões usam cigarros eletrônicos.
  • Gasto com doenças: O Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças causadas pelo cigarro, como câncer e problemas no coração.
  • Proibição na justiça: Uma lei de 2012 proíbe sabores nos cigarros, mas a indústria está tentando derrubar essa regra na justiça.
  • Perigo para crianças: Especialistas dizem que o tabagismo está se tornando uma doença de crianças e jovens, e não há nenhum cigarro eletrônico que seja seguro.

Me impressiona a desinformação que a gente ainda tem, porque um produto que mata um em cada dois usuários não deveria existir, afirmou Roberto Gil.

O que a indústria está fazendo

O Ministério da Saúde também tem reforçado o alerta sobre o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos para fumar, que tornam a iniciação ao tabaco mais atraente. Entre eles estão os cigarros aromatizados e os chamados DEFs (dispositivos eletrônicos para fumar), como vapes e pods, que agregam sabores doces, aromas, cores e sensações refrescantes à experiência de consumo.

Com o tema "Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco", a campanha deste ano busca discutir as estratégias utilizadas pela indústria do tabaco para atrair novos consumidores, especialmente crianças, adolescentes e jovens.

Dados preocupantes

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, enquanto outros 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos. Um estudo apresentado pelo INCA em 2025 estima que o Brasil possa gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo.

O que estamos observando é uma transição dos cigarros convencionais para produtos mais tecnológicos, como nicotina sintética, sais de nicotina e outros dispositivos. Isso aumenta significativamente a atratividade desses produtos para as novas gerações, criando uma população cada vez maior de dependentes de nicotina, afirmou Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco.

O que diz a lei

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012, que proíbe o uso de aditivos que confiram sabor, aroma, cor, propriedades estimulantes ou aumentem a palatabilidade dos produtos derivados do tabaco. O objetivo é reduzir a atratividade desses produtos.

A indústria do tabaco, porém, continua questionando a legalidade da norma na Justiça, alegando que a proibição inviabilizaria grande parte da produção nacional de cigarros.

Estudo mostra que é possível

Um estudo publicado neste ano na revista científica Tobacco Control e apresentado pelo INCA durante o evento contesta esse argumento. Com base em dados da própria Anvisa, a pesquisa mostra que cerca de metade das marcas de cigarros manufaturados registradas no Brasil em 2025 não continha os aditivos proibidos pela resolução.

O que mostramos é que existe viabilidade logística e produtiva. O que não existe é interesse comercial da indústria em oferecer produtos sem aromas e sabores que favorecem a iniciação ao fumo, afirmou o pesquisador André Zsklo, autor do estudo em parceria com o especialista da Anvisa André Luiz Oliveira da Silva.

Roberto Gil defendeu ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a proibição dos aditivos para consolidar a validade nacional da norma e evitar novas contestações judiciais.

O tabagismo está se tornando cada vez mais uma doença pediátrica, atingindo pessoas com menos de 20 anos. Precisamos olhar para isso com muita atenção, destacou.

Riscos para a saúde

A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, afirmou que impedir a iniciação ao consumo de nicotina deve ser uma prioridade.

Não existe dispositivo eletrônico para fumar que seja seguro. Esse é um ponto especialmente sensível quando falamos de adolescentes e jovens adultos, uma fase marcada pela construção da identidade, necessidade de pertencimento e forte exposição às redes sociais, disse.

O tabaco é um fator de risco comum para diversas doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas.

No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio do INCA, coordena as ações do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), responsável por articular políticas de prevenção, apoio à cessação do tabagismo e proteção da população contra a exposição à fumaça do tabaco.


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