Anvisa libera remédios para crianças com lúpus e esclerose múltipla

Saúde Saude 21/07/2026 15:10 Alice Rodrigues - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso de dois medicamentos importantes para crianças e adolescentes. Um deles, o belimumabe, ajuda no tratamento de lúpus a partir dos 5 anos. O outro, o ocrelizumabe, combate a esclerose múltipla em jovens a partir dos 12 anos. Essa novidade vai facilitar a vida de muitos pacientes, que agora podem ter acesso a tratamentos mais modernos e confortáveis.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20) a ampliação do tratamento de lúpus e esclerose múltipla para crianças e adolescentes. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.

  • O remédio belimumabe (Benlysta) pode ser usado a partir dos 5 anos para lúpus.
  • O ocrelizumabe (Ocrevus) é indicado a partir dos 12 anos para esclerose múltipla.
  • O belimumabe agora tem versão em caneta, para aplicar em casa, sem precisar ir ao hospital.
  • O lúpus ataca vários órgãos e afeta de 150 a 300 mil brasileiros, principalmente mulheres jovens.
  • A esclerose múltipla ataca os nervos e, em jovens, costuma ser mais grave e rara.

Para crianças a partir de 5 anos de idade com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, o Benlysta (belimumabe) passa a ser indicado como tratamento complementar. O medicamento é destinado a pacientes que apresentam alto grau de atividade da doença, e que já estejam em tratamento padrão, com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.

A medida abrange as alternativas em caneta aplicadora/autoinjetora, visando reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão e o conforto dos pacientes. A formulação intravenosa do medicamento já estava aprovada para pacientes pediátricos.

Outro medicamento que teve ampliação de uso em pacientes a partir de 12 anos e 40 kg é o Ocrevus (ocrelizumabe), destinado ao tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O produto é um anticorpo monoclonal recombinante, que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença.

Sobre o lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, pode levar ao óbito. Entre os principais sintomas estão febre, rigidez muscular e inchaços, lesões na pele que surgem ou pioram quando expostas ao sol, linfonodos aumentados e queda de cabelo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. O diagnóstico é feito a partir de uma série de exames médicos, como hemograma, biópsia renal, exame de urina, entre outros. O tratamento é principalmente paliativo.

Sobre a esclerose múltipla

Já a esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune do sistema nervoso central. O sistema imunológico ataca a mielina que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Na forma remitente-recorrente, a doença é caracterizada por episódios de novos sintomas neurológicos ou agravamento dos já existentes, seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa. A manifestação dos sintomas antes dos 18 anos é considerada uma condição rara e mais grave da doença.

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga extrema, dormência, formigamento, alterações visuais (como visão turva ou dupla), fraqueza muscular, desequilíbrio e dificuldade de controle da bexiga. As causas envolvem predisposição genética e fatores ambientais que funcionam como gatilhos, como infecções virais, tabagismo e obesidade. O diagnóstico é feito por um neurologista junto a exames complementares.


Chama no Zap

(66) 98408-0740