Médico e avô: uma lição de cuidado e ciência

Saúde Avós 24/07/2026 15:31 Brazil Health jovempan.com.br

No Dia dos Avós, o médico Dr. Alfredo Salim Helito conta como ser avô e médico ao mesmo tempo o ensinou a desconfiar de promessas fáceis e a cuidar das pessoas com base no que realmente funciona, com ciência e amor.

Há mais de quarenta anos, recebo pacientes no consultório. Antes, eles chegavam com uma lista de sintomas. Hoje, muitas vezes chegam também com uma lista de diagnósticos feitos na internet e receitas encontradas nas redes sociais. Sou de uma geração de médicos que aprendeu que ciência não é opinião. Ciência é método, estudo, evidência e tempo. Nunca troquei conhecimento por modismos, e certamente não será agora que vou começar.

  • Dr. Alfredo é médico há mais de 40 anos e também é avô de gêmeos.
  • Ele aprendeu que ser avô e ser médico são missões que se parecem muito.
  • As duas funções exigem paciência, responsabilidade e cuidado com a verdade.
  • Ele desconfia de tratamentos milagrosos que viralizam na internet.
  • Para ele, amar também é proteger com base na ciência e no conhecimento.

Mas, há pouco mais de 5 anos, aconteceu algo que nenhum livro de medicina foi capaz de me ensinar: tornei-me avô. Leonardo Salim e Beatriz chegaram juntos, como só os gêmeos sabem chegar, e trouxeram uma pergunta para a qual não existe resposta pronta: que tipo de avô um médico deve ser Percebi que essas duas missões se encontram muito mais do que eu imaginava. Tanto a medicina quanto a convivência com os netos exigem paciência para ensinar, serenidade para ouvir, coragem para dizer "não" quando necessário e, sobretudo, responsabilidade para proteger. Cuidar nunca foi escolher o caminho mais fácil. Sempre foi escolher o caminho certo.

Quando ouço falar do suplemento milagroso, do chá que promete curar tudo ou do tratamento que viralizou na internet, meu olhar de médico e meu coração de avô apontam para a mesma direção. Não penso apenas nos meus pacientes. Penso também nas duas crianças que quero ver crescer com saúde, espírito crítico e confiança naquilo que realmente foi comprovado.

Cuidado que vem do coração e da ciência

Hoje percebo que a responsabilidade que assumi ao vestir o jaleco se estende, de maneira silenciosa e muito mais profunda, até as brincadeiras no quintal, os abraços inesperados e as incontáveis perguntas que Leonardo Salim e Beatriz fazem todos os dias. Cada vacina em dia, cada consulta preventiva, cada orientação baseada em evidências, cada explicação paciente sobre o que funciona e o que não funciona é, para mim, uma forma de demonstrar amor.

A medicina me ensinou que proteger a saúde exige conhecimento. A convivência com os meus netos me mostrou que esse conhecimento só faz sentido quando é colocado a serviço de quem amamos.

Neste Dia dos Avós, deixo uma reflexão que vale tanto para a família quanto para a vida. Amar também é proteger. É resistir às soluções fáceis, às promessas milagrosas e aos atalhos que parecem sedutores, mas não resistem à ciência nem ao tempo.

Meus netos ainda são pequenos para compreender tudo isso. Talvez levem muitos anos para entender por que o avô insiste tanto em fazer perguntas, conferir evidências e desconfiar das soluções simples demais. Mas espero que, quando esse dia chegar, eles saibam que cada paciente que cuidei com dedicação e cada conselho que lhes dei nasceram exatamente do mesmo lugar: o desejo profundo de cuidar da vida.

De verdade, eu descobri que existe algo ainda mais bonito do que exercer a medicina durante toda uma vida: ter dois netos que nos lembram, todos os dias, por que vale tanto a pena continuar cuidando das pessoas.

Dr. Alfredo Salim Helito CRM/SP 43163 | RQE 132808

Clínica Médica

Head nacional de Clínica Médica da Brazil Health


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