Câncer de bexiga: por que falar sobre tabagismo é prevenção

Saúde Saude 27/08/2026 08:45 Brazil Health jovempan.com.br

Estudo mostra que 40% dos brasileiros não sabem que fumar pode aumentar o risco de câncer de bexiga; a prevenção passa por informação, diagnóstico precoce e abandono do cigarro.

O câncer de bexiga continua recebendo pouca atenção, apesar de sua relevância para a saúde pública. A doença se desenvolve, em muitos casos, nas células que revestem a parte interna do órgão e está entre os tumores mais comuns entre homens no Brasil. Segundo o INCA, cerca de 70% dos diagnósticos ocorrem na população masculina. Entre os homens, representa 3% a 3,5% dos casos de câncer no país, excluindo tumores de pele não melanoma. Embora seja mais frequente nesse público, não deve ser tratado apenas como um câncer masculino.

Entre os principais fatores de risco está o tabagismo, uma relação ainda pouco conhecida. Quando se fala nos malefícios do cigarro, o câncer de pulmão costuma ocupar o centro da conversa. Entretanto, as substâncias presentes na fumaça são absorvidas pelo corpo, chegam à circulação sanguínea e são eliminadas pelos rins por meio da urina. Ao permanecerem em contato com o revestimento da bexiga, podem contribuir para alterações celulares relacionadas ao desenvolvimento do câncer.

Uma pesquisa inédita, encomendada pelo Instituto Oncoguia e pela Pfizer para entender a percepção da população sobre o câncer de bexiga, aponta que 40% não sabem que o tabagismo está relacionado à doença. O dado evidencia a necessidade de ampliar a compreensão sobre os impactos do cigarro para além dos órgãos mais lembrados.

Falar de prevenção significa também abordar esse tema. Segundo o INCA, após anos sem fumar, o risco de câncer de bexiga pode cair pela metade em comparação com quem continua fumando. Parar de fumar é uma decisão que beneficia a saúde de diversas formas e deve ser apoiada com orientação e acompanhamento profissional.

O desconhecimento não se restringe aos fatores de risco. A pesquisa mostra que 81% das pessoas com 60 anos ou mais não sabem o que é câncer de bexiga ou apenas ouviram falar da doença. Esse dado é preocupante porque a idade acima de 55 anos está entre os fatores associados à maior incidência. Entre aqueles mais expostos, ainda falta informação para reconhecer riscos e sinais de alerta.

Um dos sintomas que merece atenção é a presença de sangue na urina, a hematúria. Embora possa estar relacionada a diferentes condições e nem sempre signifique câncer, esse sinal está entre os primeiros indicativos da doença e precisa ser investigado. Ainda assim, apenas 57% dos homens associam esse sintoma à doença. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, 32% não o reconhecem como possível sinal de alerta.

Os resultados revelam um contraste importante: 88% dos participantes entendem que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento, mas ainda há parcela da população que não identifica alguns sinais da doença. Reconhecer a importância do diagnóstico em fase inicial não basta se as alterações que devem levar à busca por atendimento permanecem desconhecidas ou normalizadas.

Atualmente, não há recomendação de rastreamento populacional para pessoas sem sintomas, pois as evidências disponíveis não demonstram que essa estratégia traga mais benefícios do que riscos. Nesse contexto, conhecer o próprio corpo e buscar avaliação médica diante de sangue na urina ou de outras alterações persistentes é fundamental para as causas serem investigadas adequadamente.

Tornar o câncer de bexiga mais conhecido exige uma conversa que conecte prevenção, fatores de risco e reconhecimento dos sintomas. Ao esclarecer a relação da doença com o tabagismo e ajudar a população a identificar sinais de alerta, a informação deixa de ser apenas conhecimento: torna-se uma ferramenta para escolhas mais conscientes e para a busca oportuna por cuidado.

Camilla Gaspari CRM/SP: 140.186 |RQE: 59194 Diretora Médica de Oncologia da Pfizer

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