Anvisa aprova remédio que reduz dores de cabeça na enxaqueca

Saúde Saude 09/09/2026 07:02 Folhapress via Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Novo medicamento oral chamado Aquipta foi aprovado no Brasil para prevenir crises de enxaqueca em adultos. O remédio age bloqueando a transmissão da dor e já é utilizado em outros países, mas ainda não tem data certa de chegada às farmácias.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta terça-feira (8), o registro do medicamento Aquipta, cujo princípio ativo é o atogepanto. Produzido pela farmacêutica AbbVie, o remédio é de uso oral e destinado ao tratamento de enxaqueca.

O tratamento é indicado especificamente para adultos que sofrem com pelo menos quatro crises mensais de dor de cabeça de intensidade moderada a grave. Além disso, o uso é recomendado para pacientes que não obtiveram resultados suficientes com os tratamentos já disponíveis no mercado.

Como o remédio funciona e principais avanços

Segundo a neurologista Francine Mendonça, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Aquipta atua bloqueando o receptor do CGRP. Trata-se de uma molécula diretamente envolvida na transmissão da dor e nos mecanismos que geram a enxaqueca. Estudos clínicos demonstraram que, com o uso do medicamento, ocorre uma redução significativa no número de dias de enxaqueca por mês.

Apesar da aprovação no Diário Oficial da União, o mercado ainda aguarda definições importantes. Não há data prevista para que o medicamento esteja disponível nas farmácias brasileiras. Além disso, o preço final não foi definido, dependendo da análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

A base para a aprovação do atogepanto foi a análise dos resultados dos estudos clínicos de fase 3, nomeados Advance e Progress. Essas pesquisas avaliaram a eficácia, a segurança e a tolerabilidade do remédio em adultos com enxaqueca episódica (4 a 14 dias de crise por mês) e crônica (15 ou mais dias de dor de cabeça por mês, há ao menos três meses).

No estudo Advance, que contou com 910 participantes, a dose de 60 mg da medicação tomada diariamente reduziu a média de 4,1 dias de enxaqueca por mês, contra apenas 2,5 dias no grupo de placebo (sem remédio). Além disso, 59% dos pacientes relataram uma queda de, pelo menos, 50% na frequência das crises, índice muito superior aos 29% do grupo controle.

Já o estudo Progress, que analisou 778 adultos com enxaqueca crônica durante 12 semanas, mostrou que o uso do atogepanto de 60 mg diário resultou em uma redução média de 6,9 dias de enxaqueca. Esse desempenho foi melhor que os 5,1 dias observados no grupo placebo, além de gerar melhoras expressivas na qualidade de vida dos pacientes.

Nas duas pesquisas, o perfil de segurança foi consistente e positivo. Predominaram eventos adversos leves a moderados, os quais incluem náusea, constipação intestinal e fadiga, sintomas gerenciáveis na maioria dos casos.

A enxaqueca é classificada como uma doença neurológica incapacitante, marcada por crises recorrentes de dor de cabeça intensas. A condição frequentemente vem acompanhada de enjoo, vômitos e sensibilidade excessiva à luz e ao som.

Prevalente em cerca de 15% da população mundial, a enxaqueca impacta profundamente a qualidade de vida do paciente. O problema gera repercussões diretas no desempenho profissional, na vida social e na necessidade frequente de utilizar serviços de saúde.

Embora já seja utilizado nos Estados Unidos e na Europa, o Aquipta não foi o primeiro medicamento oral para enxaqueca no Brasil. Existem várias opções já disponíveis, tanto para aliviar as crises agudas quanto para preveni-las.

O grande diferencial do atogepanto, segundo a neurologista, é ampliar as alternativas de prevenção por via oral, com uma ação direcionada especificamente à via do CGRP.

Vale mencionar que, em maio deste ano, a Anvisa também aprovou o Nurtec ODT (rimegepanto). Esse é outro medicamento que atua na via do CGRP, podendo ser usado para o tratamento agudo e na prevenção da forma episódica para quem tem pelo menos quatro crises mensais.

Mendonça detalha que outras classes de remédios também são usadas, como analgésicos, anti-inflamatórios e triptanos para o alívio das crises. Para a prevenção, costumam ser utilizados antidepressivos, antiepilépticos e certos remédios para controle da pressão arterial.

Alguns desses medicamentos foram desenvolvidos para outras doenças, mas demonstraram eficácia contra a enxaqueca, de modo que foram introduzidos no protocolo de tratamento da enxaqueca, afirma a especialista.

A médica também cita os anticorpos monoclonais, que são produzidos em laboratório para bloquear alvos específicos do corpo, incluindo o CGRP. Eles devem ser administrados por injeção subcutânea.

A toxina botulínica, popularmente conhecida como Botox, também é uma opção válida para a prevenção da enxaqueca crônica.

No entanto, terapias mais recentes, como as citadas, ainda não fazem parte da rotina de oferta do SUS para a prevenção da doença. Ainda assim, o sistema de saúde brasileiro disponibiliza tratamentos que incluem medicamentos como a amitriptilina e o propranolol, úteis na prevenção, bem como opções para o alívio imediato das crises.

Sempre bom adicionar que o cuidado para enxaqueca também inclui sono regular, atividade física, e sempre atenção ao uso excessivo de medicamentos para alívio da dor, porque existe a dor de cabeça por abuso de analgésicos, sempre friso quando a gente fala em tratamento medicamentoso, acrescenta a neurologista,

  • O Aquipta, aprovado pela Anvisa, é o novo remédio preventivo de enxaqueca que bloqueia a molécula CGRP (responsável pela dor).
  • Em testes clínicos, a medicação reduziu em média de 4,1 a 6,9 dias de enxaqueca ao mês, dependendo da gravidade do caso.
  • O uso do Aquipta é voltado a adultos que enfrentam quatro ou mais crises de dor intensa e não melhoraram com outros métodos.
  • No mercado global, o remédio já está disponível nos Estados Unidos e na Europa, mas no Brasil o preço e a data de chegada ainda não foram definidos.
  • Além do remédio novo, o Botox, injeções específicas e remédios comuns para pressão arterial são outras alternativas para tratar a enxaqueca.

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