Melanoma: Câncer de pele que atinge olhos e órgãos internos preocupa

Saúde Melanoma 15/09/2026 10:11 Agência Brasil noticiasaominuto.com.br

Estudo revela que o melanoma pode aparecer fora da pele, em olhos e mucosas, sendo mais agressivo. Especialistas alertam para o diagnóstico precoce e a barreira do custo alto dos remédios no SUS, embora a imunoterapia tenha melhorado a sobrevida de pacientes.

Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele comum, esclarece a Fundação do Câncer. Embora tenha origem nas células que produzem melanina (melanócitos), essa doença também pode aparecer em partes do corpo que não são a pele, como nos olhos, nas mucosas da boca e em órgãos internos dos sistemas genital e digestivo.

Esse tipo de tumor maligno é menos frequente, porém muito mais perigoso. Ele tem maior tendência a criar metástase, o que significa que se espalha com facilidade para tecidos e órgãos vizinhos, tornando-se mais letal.

A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançada neste mês pela fundação, foca nesse tema. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação enfatiza que conhecer a doença é o primeiro passo para enfrentá-la.

Diagnóstico precoce salva vidas

Para enfrentar o câncer, não basta apenas o tratamento curativo. É preciso conhecer a doença para prevenir, diagnosticar cedo, planejar melhor os serviços de saúde e criar políticas públicas que salvem vidas. Anualmente, o boletim mostra a situação da doença no Brasil e alerta a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Os dados apresentados vêm da plataforma info.oncollect, que organiza registros hospitalares de oncologia. O consultor médico da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff, destaca que o combate ao melanoma requer prevenção, registros de qualidade e articulação entre várias especialidades médicas, como dermatologia, oftalmologia e oncologia.

Controlar o câncer significa diagnosticar a tempo e iniciar o tratamento rapidamente. A doença tem cura quando identificada nos estágios iniciais. No Brasil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o método padrão é a remoção cirúrgica da lesão e dos gânglios linfáticos afetados.

Situação do tratamento no Brasil

Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o primeiro tratamento para mais de 84% dos casos de melanoma de pele no país. A Região Sudeste lidera essas intervenções, com quase 90% dos casos, enquanto o Norte tem a menor participação, com cerca de 64%.

Muitos pacientes precisam viajar para se tratar, especialmente na região Centro-Oeste, onde 20,2% dos casos exigiram deslocamento inter-regional. Isso indica faltam recursos locais. Além da cirurgia, a quimioterapia é comum, mas a imunoterapia trouxe novas esperanças recentemente.

Em 2016, a Anvisa aprovou medicamentos como o nivolumabe e o pembrolizumabe. Em 2020, a Conitec incluiu essas imunoterapias no SUS para casos metastáticos. Segundo Alfredo Scaff, esses remédios elevaram a taxa de resposta clínica de menos de 10% na quimioterapia para até 70% na imunoterapia, um aumento revolucionário.

Porém, para o melanoma que não está na pele, as evidências de sucesso com imunoterapia ainda são poucas, de acordo com Gélcio Mendes, do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ele aponta que muitas vezes não há efetividade comprovada nesse subgrupo específico.

Barreiras de custo e acesso

Os especialistas concordam que o custo alto dos medicamentos modernos é a maior trava para o acesso via SUS. Para resolver isso, Scaff sugere a compra centralizada de remédios pelo Ministério da Saúde e a fortalecimento da indústria nacional, o que baratearia os preços.

Gélcio Mendes confirma a limitação de acesso atual. Estão sendo alteradas as regras do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco) para ampliar o acesso a esses agentes. O objetivo é garantir que pacientes com melanoma metastático recebam a terapia definida pela Conitec.

No entanto, mesmo com as leis atualizadas, a logística de distribuição ainda está em construção. A negociação sobre como o dinheiro chega aos hospitais e centros de alta complexidade (Unacons e Cacons) ainda depende de acordos entre gestores públicos.

Os dados mostram que, de 42.255 casos analisados, 92,2% eram de pele. Os 7,8% restantes são extracutâneos, como os oculares (5,7%) e de mucosas (2,5%). Entre 1990 e 2021, houve 1.324 casos novos de melanoma fora da pele, sendo a maioria em mulheres.

Riscos ocular e fatores de risco

O olho é o local mais comum para o melanoma extracutâneo, com 75% dos casos. Diferente do câncer de pele, o ocular muitas vezes não causa sintomas no início. Os sinais incluem visão embaçada ou flashes de luz, o que faz o paciente procurar o médico apenas em fases avançadas.

  • O melanoma pode surgir em olhos, boca e órgãos internos, não só na pele.
  • Ele é menos comum, mas muito mais agressivo e difícil de curar do que o câncer de pele comum.
  • A imunoterapia aumentou a resposta clínica de 10% para 70%, mas o custo é alto.
  • No Norte do Brasil, a letalidade é maior devido ao diagnóstico tardio e falta de acesso.
  • O olho é o local mais frequente para o tipo extracutâneo, com 75% dos casos.

A exposição ao sol (radiação UV) é a principal causa do melanoma de pele, sendo mais comum em pessoas de pele clara. Em 2023, o Brasil registrou 2.047 mortes pela doença.

O Inca projeta 9.360 novos casos de melanoma de pele neste ano. A região Sul tem as maiores taxas de incidência, mais que o dobro da média nacional. Conhecer os riscos e procurar exames regulares é fundamental para aumentar as chances de cura.


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